É triste saber que, mesmo com muitas pessoas passando fome no mundo, grande parte dos alimentos é desperdiçada todos os dias. A estimativa das Nações Unidas é de que 14% dos alimentos do mundo sejam perdidos entre a colheita e a comercialização, e cerca de 17% são desperdiçados no varejo e no nível de consumo. E tudo isso ocorre ao mesmo tempo em que 811 milhões de pessoas passam fome no mundo.

Na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, uma das metas do ODS 12 – Consumo e Produção responsáveis propõe reduzir pela metade o desperdício global de alimentos per capita nos níveis de varejo e consumo. Propõe ainda, reduzir as partes de alimentos ao longo das cadeias de produção e fornecimento. Contudo, cabe à sociedade combater o desperdício em todos os elos da cadeia agroalimentar.

Para vencer esse desafio, contamos com o apoio de iniciativas como programas governamentais, organizações não governamentais (ONGs) como a ONG Banco de Alimentos, entidades e instituições com parcerias públicas e privadas que desenvolvem projetos e ações de combate à fome, insegurança alimentar e à perda e desperdícios de alimentos.

Rede Brasileira de Banco de Alimentos para reduzir perdas e desperdício

Visando reduzir perdas e desperdício de alimentos e promover o direito humano à alimentação adequada foi instituída pelo Decreto nº 10.490, de 17 de setembro de 2020 a Rede Brasileira de Bancos de Alimentos (RBBA).

Os bancos de alimentos da RBBA são estruturas físicas ou logísticas que recebem doações de alimentos dos setores público ou privado e os distribuem às instituições públicas ou privadas prestadoras de serviços de assistência social, de proteção e de defesa civil; instituições de ensino; unidades de acolhimento institucional de crianças e adolescentes; penitenciárias, cadeias públicas e unidades de internação; estabelecimentos de saúde; e outras unidades de alimentação e de nutrição.

A RBBA tem como objetivos promover a troca de experiências, o fortalecimento e a qualificação dos bancos de alimentos; fomentar ações educativas destinadas à segurança alimentar e nutricional e ao fortalecimento institucional do banco de alimentos; estimular ações para a redução das perdas e do desperdício de alimentos no país; fomentar pesquisas relacionadas aos bancos de alimentos; estimular políticas e ações públicas de segurança alimentar e nutricional que fortaleçam os bancos de alimentos; e articular e facilitar negociações estratégicas para a divulgação e a instituição de parcerias com os bancos de alimentos.

O Brasil também conta com o apoio das Nações Unidas

São várias as entidades das Nações Unidas (UN) presentes no Brasil que apoiam o aumento da segurança alimentar para redução da pobreza e melhoria da qualidade de vida das pessoas. Dentre as atividades realizadas por essas entidades estão a liderança de esforços internacionais para erradicar a fome; investimento em pessoas das zonas rurais para reduzir a pobreza, aumentar a segurança alimentar e melhorar a nutrição; promoção da justiça social, direitos humanos e trabalhistas; defesa do meio ambiente global; entre outras.

Para as Nações Unidas, o foco é proporcionar uma resposta coletiva, coerente e integrada às prioridades e necessidades nacionais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e dos demais compromissos internacionais. Cada entidade atua desenvolvendo seus projetos em conjunto com o governo e de maneira coordenada com apoio de iniciativas privadas, instituições de ensino, organizações não governamentais e sociedade civil brasileira, para a implementação de uma agenda comum em favor do desenvolvimento sustentável.

Com pequenas atitudes é possível fazer a diferença

A conscientização também está ao nosso alcance e nossas atitudes podem ajudar e evitar o desperdício. Muitos estudos vêm sendo realizados para evitar a perda e o desperdício de alimentos, mas enquanto a ciência vem fazendo a sua parte e assegurando o desenvolvimento de ferramentas para esse fim, é importante valorizar iniciativas que facilitem o acesso e a conscientização sobre a importância da adoção dessas medidas e tecnologias em todas as etapas da cadeia alimentar.

Em 2019 foi lançado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) um Guia de Boas Práticas para Bancos de Alimentos. O material orienta sobre as melhores práticas sugeridas com relação a procedimentos, rotinas e métodos considerados adequados para quem atua nesse setor.

Uma lista organizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também pode nos ajudar com medidas simples a serem adotadas para evitar o desperdício. Dentre as 15 dicas apontadas pela FAO para reduzir o desperdício de alimentos estão: